Nesta terça-feira 12.04, aconteceu mais uma edição do projeto Barbante, Iniciativa da Pandorga com a Radar Consultoria que promove diálogos sobre Economia Criativa, Moda, Design e Empreendedorismo por meio de diferentes pontos de vista.

No encontro, as Patricias, Walter Rodrigues e Eduardo Mota falaram sobre o colapso do calendário da moda. O ponto de partida para a discussão foi grandes marcas decidindo disponibilizar a coleção para a compra imediatamente após o desfile.

 

E como isso funciona na prática? Os desfiles são uma forma de apresentar as propostas das coleções para que a mídia de moda e os compradores tenham contato com a temática desenvolvida pela equipe criativa. O calendário da moda é uma articulação de toda a cadeia desde os fornecedores de tecidos, de aviamentos, até as fábricas. Tema abordado por uma participante, que destacou a dificuldade do processo criativo visto que este sistema se torna engessado de certa forma. Pouco espaço para criação, prazos cada vez menores e renovação acelerada foram algumas das razões citadas para a perda do design com maior identidade. Mota falou disso como uma hegemonização de formatos. Patricia Parenza fala que está um tanto quanto cansada do que tem visto na cena atual, dizendo que falta uma moda que a emocione e toque o coração.

Então, qual é a discussão? Como as Patricias colocaram, a cobertura midiática destes eventos resultou em um exagero ou superexposição de imagem. O que passa pela passarela é fotografado por todos os convidados e distribuído para o mundo inteiro. As redes sociais permitiram que essas informações sejam compartilhadas com agilidade. Assim, antes de um desfile acontecer já sabemos a trilha sonora que será utilizada, o convite, o release, o casting… E quando este se realiza, a coleção se torna tão conhecida que esperar um mês para poder comprá-la já a torna velha. Patricia Parenza falou sobre como estas imagens são “trituradas “ no sentido de publicadas e compartilhadas com pouca qualidade e sem informação relevante. Walter Rodrigues observa que este movimento provocou uma fadiga do consumo ligado a todo este movimento de espetacularização da moda.

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Outro ponto abordado pelos convidados foi a respeito da critica de moda. Nesta nova dinâmica não existe espaço para reflexão. Há muito que o Brasil não possui uma análise mais aprofundada sobre a produção de moda e com o aceleramento da cadeia se torna ainda mais difícil pensar sobre. Walter comentou a respeito de uma avaliação mais contundente, que seja capaz de abranger todo o contexto do desfile, além das peças, a descrição do cenário proposto pela marca.

Qual o impacto deste colapso do calendário na cadeia de moda? Todos os participantes concordaram que vamos passar para uma dicotomia entre grandes e pequenas marca: aquelas que têm porte para desfilar e colocar seus produtos a venda e aquelas pequenas que terão que repensar formas de distribuição. Patricia Pontalti provocou acerca do tema dizendo que talvez não sejam dois lançamentos ao ano, talvez nem existam mais lançamentos tão rígidos mas uma proposta criativa mais orgânica, na qual a inspiração seja levada em consideração. Mota apontou que este momento de quebra de formatos, portanto período fértil para novas formas de criação e comercialização de moda.

A conversa deste Barbante trouxe muito mais pontos de vista para a discussão, mas, em resumo, como encerrou Walter Rodrigues, a adaptação será chave para o momento e toda a cadeia terá que se reinventar para encontrar caminhos mais coerentes com o momento atual.

Ps: Fica esperto que o próximo Barbante já tem data: em 8.06 teremos um bate-papo sobre moda autoral. Segue a página do Barbante no Facebook ou assina nossa newsletter para saber quando os ingressos estarão disponíveis.

 

Written by Bruna Machado